Brasil precisa triplicar a geração elétrica por fontes renováveis até 2024.

 

Apostar no potencial das fontes renováveis não é apenas condição para cumprir acordos e compromissos internacionais. Trata-se também de uma necessidade doméstica, se quisermos garantir o fornecimento de eletricidade a todo país, quando se pensa em geração de energia elétrica no país, a imagem de uma usina hidrelétrica é uma das primeiras coisas que vêm à cabeça da maioria dos brasileiros. Nossos rios caudalosos sempre nos garantiram fama internacional como fonte renovável de eletricidade.

O que pouca gente sabe é que a natureza foi generosa conosco também em ventos, irradiação solar e disponibilidade de biomassa. Isso torna o Brasil um dos países mais propícios, em todo o mundo, para a instalação de usinas de outras fontes renováveis de energia elétrica como a solar e a eólica, que ganham cada vez mais espaço na nossa matriz elétrica. Por aqui, a disponibilidade de vento e o regime de chuvas são complementares, o que contribui para a manutenção dos níveis de geração de energia renovável do país durante todas as estações do ano.

Mesmo com as condições favoráveis acima e um crescimento considerável da energia eólica, precisaremos de mais incentivos no futuro. Isso porque, assim como outros 132 países, o Brasil ratificou o Acordo de Paris, que prevê compromissos legais para redução dos gases do efeito estufa, principais responsáveis pelas mudanças no clima. Para que o país cumpra o compromisso relacionado à expansão de renováveis, precisaremos triplicar a participação de energia eólica e solar – dos atuais 3,5%, em 2015, para 12% até 2030, de acordo com dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética.
Apostar no potencial das fontes renováveis não é apenas condição para cumprir acordos e compromissos internacionais. Trata-se também de uma necessidade doméstica, se quisermos garantir o fornecimento de eletricidade a todo país. Com os períodos de seca e os impactos ambientais da instalação de grandes usinas, principalmente na região norte, as hidrelétricas vêm perdendo cada vez mais representatividade na geração de energia elétrica.

>>Clique no nosso número para ter notícias de graça 75 99879-7106. TOTALMENTE DE GRAÇA!! >>

Com menos reservatórios, nossa capacidade de armazenamento para períodos de escassez diminui. Embora continuem sendo nossa principal fonte, essas usinas precisam cada vez mais de um reforço para garantir fornecimento de eletricidade. Atualmente, a solução tem sido o acionamento das termelétricas, majoritariamente de origem fóssil, que responderam por 23% da geração de eletricidade total do Brasil em 2015. Além de poluir e de consumir grandes quantidades de água, a geração termelétrica fóssil também é mais cara para o sistema elétrico e, consequentemente, para o bolso do consumidor. Isso significa que se quisermos continuar crescendo e atendendo a demanda interna, precisamos apostar nas fontes eólica, solar e biomassa.

Triplicar a nossa geração renovável é possível. Mas, para dar conta da inserção dessas fontes no sistema elétrico, cuja produção varia conforme o clima, uma série de medidas estratégicas e sistêmicas devem ser adotadas desde já. Nos últimos dois anos, nós, do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), nos dedicamos a estudar essas e outras questões do setor elétrico. Ao longo desse período, produzimos cinco relatórios e consultamos outros especialistas de diversas áreas e organizações para entender os principais desafios que precisam ser superados e as medidas necessárias para a expansão e integração das fontes eólica e solar no Brasil.

O SIN (Sistema Interligado Nacional), responsável por operar toda a matriz elétrica brasileira, terá de planejar o gerenciamento dos diversos tipos de geração elétrica sem que isso signifique aumento de custos operacionais. Serão necessários ainda mais investimentos em tecnologias e modelos meteorológicos para prever ventos e radiação solar de maneira mais precisa, assim como sistemas capazes de armazenar energia para ser usada em períodos de indisponibilidade de sol e ventos. Para driblar essa variabilidade climática, o país terá de apostar na construção de usinas de rápido acionamento, como as térmicas a biomassa, que podem gerar eletricidade de maneira constante.

Os sistemas de transmissão deverão ser reforçados e ampliados. Os de distribuição também terão de ser adaptados para não apenas conduzir a energia da usina geradora para o consumidor como também absorver o excedente elétrico gerado pelas placas solares e turbinas eólicas de autoprodutores e redirecioná-lo a outros destinos. Tratam-se de pessoas físicas e jurídicas que têm autorização para gerar eletricidade para consumo próprio e vender o excedente. Outro passo importante é pensar políticas públicas e mecanismos para baratear o custo dos componentes de painéis solares no mercado, ampliando sua adoção em larga escala.

São muitos os desafios tecnológicos, operacionais e econômicos para garantirmos o aumento e a integração das fontes solar e eólica de forma segura e eficiente na matriz energética do país. Mesmo assim, o Iema acredita que ainda maior é a capacidade do Brasil em expandir suas fontes renováveis, já que usufrui de condições extremamente favoráveis, como uma matriz elétrica diversificada e um clima que mantém usinas, hélices e painéis em condições de funcionamento invejáveis se comparadas com o resto do mundo.

Caso tenha gostado, adicione 5 estrelas!
[Total: 0 Average: 0]

Comente

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

11 + quinze =